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Conheça a história da Capela Santo Antônio, que completa 85 anos

Desenvolvimento da nossa região passa pela luta do povo que ergueu a nossa Capela


Essa história não começa agora. Também não tem apenas 85 anos, já que começou bem antes da igreja ser erguida. Imagine o nosso bairro na década de 1920. No lugar de avenidas, passagens entre os pastos. Ao invés de comércios, apenas fazendas e casas simples do povo que trabalhava na roça. Um povo de Fé, que se uniu para chegarmos até aqui.


Os relatos do acervo paroquial trazem a nossa história contada a partir da vivência de Divina Laudelina de Jesus. Em 1985, ela com 78 anos e uma das moradoras mais antigas da paróquia, contou como tudo começou.


As igrejas mais próximas de nós eram a São Francisco das Chagas, no bairro Padre Eustáquio, a Capela Cristo Rei, no bairro Engenho Nogueira, a Igreja São Sebastião Boa Vista, em Contagem, ema Igreja de Santa Terezinha, no que era Bento Pires Munis - hoje bairro Santa Terezinha. Nosso bairro era chamado de Freguesia da Ressaca, ou só Ressaca.


O povo que aqui vivia, se juntava aos tropeiros que aqui passavam, para manter viva a Fé. Embaixo de um cruzeiro, na agora Abílio Machado, onde hoje se encontra a escola Marieta Brochado, o povo fazia as suas orações, mas desejavam mais.


Em 1929, organizaram um abaixo assinado e mandaram para o bispo. Queriam que ao menos uma vez por mês, um padre pudesse vir celebrar a missa naquele cruzeiro. Sem internet, telefone, nem mesmo acesso a rádio ou jornal, ficaram sabendo, no boca a boca, que o pedido tinha sido aceito e que o vigário da Paróquia São Francisco de Assis, no Carlos Prates, viria realizar as celebrações. A notícia foi publicada em 03 de setembro de 1929, no jornal "O Diário", informativo da Arquidiocese de Belo Horizonte e confirmada pela dona Amélia Rocha, que era filha de um dos fazendeiros da região.

Comissão Bênção da Pedra Fundamental / 1935

A partir dali a comunidade começou a se organizar. É que não havia um lugar adequado para as celebrações. O povo começou a se ajuntar e ora tinha muito sol, ora era uma chuva brava e as celebrações precisavam acontecer. As famílias Saturnino, Rocha, Magalhães e Costa, foram firmes no propósito: queriam uma capela para que fossem realizados os sacramentos. Mas onde seria construída essa Capela?


Em 1935, Agostinho Ferreira, doou o terreno para ser erguida a Capela. A construção foi aprovada. As pessoas começaram a se organizar. Alguns tomaram conta das festividades, outros das celebração. Alguns conselheiros para escolha dos leiloeiros, para escolher as músicas da missa, para definir a data e o padroeiro. Dona Emídia sugeriu que Santo Antônio desse o nome a Capela e o Padroeiro foi escolhido.

Missa e Festa da Bênção da Pedra Fundamental /1935

Em 27 de outubro de 1935, Padre José Viegas, veio de Venda Nova, para presidir a celebração da missa e abençoar a Pedra Fundamental da construção da Capela. Padre Pedro, Frei Mário, Padre Zacarias também estiveram na celebração. Dona Dica (Raimunda Diniz) foi escolhida Madrinha da Pedra Fundamental. Começava ali o sonho do povo de Deus.


Na Missa, os Padres elogiaram a fé das pessoas da comunidade, a união em busca do objetivo de se ter uma igreja aqui e, sobretudo, o amor que cada um tinha a Deus. Após a celebração, que aconteceu pela manhã, a festa foi até a madrugada. Com música ao vivo, leilão de gado, galinha, quitutes e várias barraquinhas.



Era necessário arrecadar fundos e trabalhar firme na edificação. Júlio Lourenço e Joviano, pai do Juquinha, foram os construtores. A comunidade organizava leilões, festas e vendia de tudo para ver a Capela pronta. Enquanto isso, as Missas também já eram celebradas no lugar da construção. Padre Pedro vinha de Venda Nova, montado em um cavalo, para se reunir com a comunidade. Fei Zacarias, Pe. José Viegas e Pe. Rossini, também sempre estava celebrando aqui. A missa acontecia uma vez por mês, no 3º domingo, às 10 horas.

Missa e Bênção da Capela em 1937

Quase dois anos depois do lançamento da pedra fundamental, em 1937 a Capela estava pronta. Em um dia de muita


festa, oração e gratidão a Deus, ela foi abençoada e entregue a comunidade Santo Antônio da Ressaca. A partir daí foram fortalecidos os trabalhos pastorais, a catequese, batizados, crisma, casamentos. Os sacramentos já tinham um lugar para serem realizados e o povo de Deus um lugar para se reunir e agradecer.

O tempo passou, a região foi crescendo e a Capela já estava pequena para acomodar tanta gente. Em 1967 o terreno, onde hoje está a Matriz, foi doado para que uma igreja maior fosse construída.


Em 1968, chegou por aqui uma pessoa que trabalharia incansavelmente pela fé e dignidade do nosso povo. Padre Paulo Teodoro Schoeder, natural da Alemanha, mas que chegou ao Brasil com 8 anos de idade, veio ajudar a Paróquia Nossa Senhora da Glória e deu uma grande atenção a nossa comunidade. Clique e saiba mais sobre Pe. Teodoro.




Pe. Teodoro lutou para melhorias no bairro, para termos uma escola, posto de saúde, transporte, saneamento. Cuidou, de forma exemplar, da evangelização do povo. A partir da nossa Capela, foram formadas diversas comunidades próximas a nós. Em 1977, quando nossa Paróquia foi criada, Padre Teodoro foi nomeado como nosso primeiro Pároco. Ele ficou por aqui até 1997, quando voltou para casa do Pai.



Reforma Estrutural / 2000

Reforma


Em outubro de 2000, nossa Capela passou por uma grande reforma. Toda a estrutura foi reforçada com vigas e colunas. O telhado foi completamente trocado e a parte interna ganhou um forro de madeira. Uma nova pintura foi feita na parte interna e externa. Um novo cruzeiro também foi afixado na ponta do morro.






Eremitério

De 20013 a 2018, a Capela Santo Antônio abrigou o Eremitério Urbano Nossa Senhora de Belém. Um lugar de acolhimento, oração, escuta e reflexão da palavra de Deus.


A Celebração de instalação do Eremitério foi presidida por dom Joaquim Mol, bispo auxiliar para Rense e concelebrada pelo Padre Joaquim Renato, com a presença da Irmã Irene Boff, então coordenadora provincial da congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.


Algumas religiosas passaram por aqui, mas quem ficou do início ao fim e a quem lembramos com muito carinho foi a Irmã Eneide. Com uma espiritualidade e sabedoria própria ela trouxe até nós uma visão muito bela da Palavra de Deus.


Hoje, Irmã Eneide está em uma casa das irmãs Paulinas na cidade de Sete lagoas, região central de Minas Gerais.


A história continua

Se você chegou até aqui, vai concordar que a nossa história é muito rica. A inspiração de tantos que muito sonharam, batalharam e trabalharam juntos para hoje nos orgulharmos de ter a nossa Capela e Paróquia Santo Antônio. Foram padres, bispos, religiosas, povo. Gente que se envolveu, ou que só apareceu para rezar. Gente que se doou e que já está junto de Deus. Citar cada um aqui, seria injusto com a memória de tantos e provavelmente faltaria espaço.

Por isso, ao fazer memória de todos, registramos aqui na pessoa de uma mulher, nossa gratidão. Na comemoração destes 85 anos de Fé, Dona Ivone é quem melhor representa a história dos que passaram por aqui. É ela que continua com a chama da esperança acessa, que nos ensina e nos inspira. Ela se entrega no serviço a Deus na comunidade, mantendo a nossa Capela um lugar especial.


Este ano, na Semana do Padroeiro, dona Iwone contou um pouquinho do início da comunidade e da história da Capela.




E ainda temos um grande caminhada traçar. Queremos lembrar sempre de nossas raízes para sempre estar no caminho de Deus, servindo aos irmãos. Parabéns Capela Santo Antônio, pelos 85 anos de Evangelização!


Veja Mensagem do Padre Toninho pelos 85 anos da Capela:


Arquidiocese de Belo Horizonte | Paróquia Santo Antônio Vila Belém

Rua Sidônia, 185 - São Salvador | Belo Horizonte

(31) 3477-6031

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